Fiquei muito feliz com o desfile que apresentei no domingo.
Demoro sempre uns dois dias para me refazer e organizar minhas idéias.
Em geral me sinto nu em cena.
É uma sensação de exposição que incomoda, mas afinal fui eu que me coloquei ali.
Para fazer um desfile eu não viajo para ver tendência, não tenho a menor preocupação com a cor da estação e muito menos com os comprimentos das saias, meu caminho é olhar para dentro e buscar minhas vontades de forma e de expressão, e ai claramente se explica o meu sentimento de alma exposta.
Meus amores, minhas dores e alegrias estão todas lá. Na hora que aquelas meninas estão todas vestidas prontas para entrar e nos segundos antes de eu entrar na passarela no final do desfile, eu vejo um filme na minha cabeça com um resumo desses últimos meses. Acho que deve ser como dizem que acontece antes da morte onde você revê a sua trajetória de vida.
Soldado valente enfrento as câmeras, repórteres e etc. e tento ser o mais didático possível para explicar o inexplicável.
Às vezes acho até que meus desfiles não são feitos para fashionistas (não entendo bem essa palavra…), porque afinal dentro dos meus desejos e verdades, nem sempre eu apresento na passarela aquilo que eles entendem como “novo”.
E afinal o que é realmente “novo”?
Pra falar a verdade eu estou acreditando cada vez mais que o que interessa é a verdade da alma, afinal isso é o novo, visto que num mundo de tanta superficialidade poder se permitir a atender aos chamados da alma, isso sim, é o grande “novo luxo”.















